Eu e o Natal nem sempre nos demos bem. Talvez quando eu era bem criança, gostava da ideia de ganhar presentes… Mas cedo descobri que o Natal podia ser tudo, MENOS um dia de paz!
Minha mãe era uma pessoa ansiosa e nesta época enlouquecia: “Tudo (e aí eram comidas, presentes, encontros familiares, conversas, lugares) tem de dar CERTO!” Conforme dezembro avançava, mais e mais ansiosa ela ficava, repetindo o bordão “tudo tem de dar certo, TUDO TEM DE DAR CERTO!”
Bom, a vida me ensinou que quanto mais uma pessoa insiste e se auto convence do necessário acerto DE TUDO, a tendência é de que dê ERRADO. Então houve muitos Natais ansiosos e previamente frustrantes.
Depois que mamãe morreu, que eu descasei e meus filhos cresceram, vivi dez anos em Ubatuba com novo marido e então eram épocas de outro tipo de preocupação. Tínhamos chalés para locação em temporada e o fim de ano era o momento de ter algum lucro: “o cliente chegou? A estrada fechou? Vai chover? Vai falta água? O cliente pagou? Desistiu? Vão estourar fogos na praia este ano?”
A partir de 2015, novamente descasada, voltei a morar em São Paulo, no bairro da Pompeia e vivi natais mais tranquilos. Pude conviver mais com meus filhos, minha nora gosta de receber amigos, sua mãe é ótima cozinheira, foram natais de fraterna serenidade.
Até este 2020. O que fazer? A nora está grávida, o medo do vírus ronda os lares, a prevenção se faz necessária…
Foi o Natal das marmitas. No dia 24, um breve encontro vespertino no quintal da casa da mãe da minha nora, troca de presentes e de comidinhas, todo mundo meio distante, usando máscaras.
Foi o Natal possível. E nem por isso foi menos agradável.
Foi um Natal “mascarado”, mas apenas no sentido literal. Aproveitamos os poucos momentos com bom humor e carinho, torcendo para futuros natais mais aconchegantes, livres do perigo da covid-19.
Na virada de 2020 pra 2021, espero o que o mundo todo espera: a ampla e eficaz vacinação contra o vírus, a recuperação econômica, emocional, profissional. Que a gente aprenda com tudo isso, que a gente se revele mais solidário, que a gente busque – e encontre – a felicidade.
Xô, 2020! Venha com coragem, 2021!