Garrafas ao mar

Você já ouviu falar sobre “mensagem na garrafa”? Sobre alguém que escreve um bilhete, coloca dentro de uma garrafa e o lança ao mar? Na maioria das vezes, o gesto é movido pela curiosidade, pelo desejo de se comunicar com o mundo, sem saber a quem se vai atingir. Um gesto um pouco mais eficaz do que berrar “palavras ao vento”, já que o mensageiro aposta na chance de que, um dia, sua garrafa seja encontrada.
Se a ideia é antiga (arqueólogos descobriram mensagens de argila, no mar Mediterrâneo, que saíram de embarcações gregas de antes de Cristo), a popularização do uso do oceano como correio veio com os marinheiros europeus que cruzavam o Atlântico nos séculos XV a XVIII. Reza a lenda que a quantidade de mensagens era tão alta que a Rainha Elizabeth I (1533-1603) não só criou o cargo de “abridor de garrafas do oceano”, como penalidades para qualquer outro que as abrisse! Afora a lenda, o que se sabe com certeza é que, durante o século XIX, grandes jornais como o londrino TIMES e o THE NEW YORK TIMES publicavam o conteúdo das cartas encontradas. Provavelmente porque o público tinha sempre muita curiosidade com esse tipo inusitado de correio.
Em 2018 foi mais do que peculiar a descoberta de uma família australiana, quando encontrou na praia uma garrafa “bonitinha” e a levou para casa. Dentro, uma mensagem datada de 12 de junho de 1886, com a localização de um navio científico alemão e o pedido de se entrar em contato com a embaixada alemã. Apesar da desconfiança, a família contatou as autoridades e – que final feliz! – aquela era mesmo uma mensagem centenária… desta vez, a garrafa não ficou ao léu, mesmo que tenha demorado tanto para achar um destinatário.
Nossa “mensagem na garrafa” mais esperançosa é de 1977, quando um “disco de ouro” foi anexado à nave VOYAGER, contendo sons e informações sobre a Terra. A espaçonave já ultrapassou o sistema solar e vai, espaço afora, carregando nossa expectativa em fazer contato com alienígenas…
Pois bem: e eu? O que estas garrafas todas têm a ver comigo?
Têm que este blog será a minha garrafa ao mar.
Por que agora? Porque a humanidade está vivenciando o surto de pandemia mais devastador desde a gripe espanhola de início do século XX. Porque sinto a necessidade de lançar ao mar as minhas mensagens. Registrar, nos bilhetes, o que sinto. O meu medo. A minha frustração por todos os sonhos perdidos ou truncados. A minha raiva dos governantes – do Brasil, Europa, Ásia ou Américas – que demoraram a agir, menosprezaram as informações dos cientistas, revelaram seu despreparo ou descaso com os povos das suas nações. Também quero compartilhar alguma esperança: quem sabe, aquele que encontrar minha garrafa leia mensagens que façam eco às suas próprias emoções? Que se comova, concorde, discorde de mim, aquinhoe, critique, sei lá… mas reaja?
Só espero mesmo é que o interlocutor não demore a achar a garrafa. Que minhas palavras não preencham o vazio de um recipiente navegante pelo espaço, feito a Voyager, pra ser aberto, talvez, por alienígenas da constelação de Andrômeda, daqui a 40.000 anos.
Hoje ganhei o dia quando vi o teu blog. Tenho certeza que será um sucesso!
Adorei a matéria sobre a nova escola!
Gostei muito da matéria. #ForaBolsonaroGenocida
Adorei o Resumo que Fizestes dos Novos Tempos…..
Gosto da forma que Escreves pois nos da Clareza dos Fatos 😍👏