Será que sou só eu ou todo mundo acha que o momento tá parado? Estagnado, expectante, chato, irritante? Na TV só se fala da vacinação, que não chega, vai chegar, chegou, acabou, vai retomar em X momento ou lugar… Ou se fica no aguardo: aulas presenciais? Pra todo mundo, em Agosto? As Olimpíadas no Japão? Como será, quem vai, como vai e por aí… vai.

E não vai, essa é a verdade! O desencontro de opiniões e soluções causa mais irritação e medo do que a própria doença. Aliás, há um ano e meio essa é a constante da pandemia: o cotidiano instável que gera a gangorra emocional, pessoal, universal.

Comecei GARRAFAS AO MAR justamente pra me dar alguma normalidade em meio ao caos. Registrar emoções e dúvidas que, se eram particulares, poderiam fazer eco em muitas outras pessoas. Ao longo desse tempo, tive ótimos retornos; muita gente ADOROU a ideia da cachorroterapia, por exemplo, parabenizando-me por acrescentar Yuri, o filhote de cocker spaniel, à minha vida. Outras pessoas me enviaram mensagem pessoais de reencontro e muita gente curtia meus comentários sobre literatura. Afinal, aproveitei a quarentena pra ler ainda mais do que meu normal; aqui e ali comentei alguma coisa em um GARRAFAS. Tem quem aprovou e pediu mais.

Então está vindo mais. Vou dar um tempo em GARRAFAS AO MAR pra inaugurar a seção LEITURAS QUE MARCAM A VIDA. Não quero focar livros essenciais da Humanidade ou sugerir um roteiro para o leitor, mas tecer comentários sobre obras que ME influenciaram, seduziram, empolgaram, de modo muito pessoal. Justificar a predileção por alguma anedota biográfica, por exemplo, ou modismo pitoresco da época em que a obra foi significativa.

Se dou boas-vindas a LEITURAS QUE MARCAM A VIDA, também não sei se quero enterrar GARRAFAS pra todo o sempre. Pretendo, quando e se acontecer algo interessante, “meter o bedelho” e escrever nova crônica.

E aí pergunto: você sabe de onde veio “meter o bedelho”? Tem várias teorias e tal, bedelho significa taramela, fechadura; ou pode ser corruptela de fedelho – menino, miúdo, guri. Tudo, é claro, tem a haver com nossos avozinhos portugueses.

Então lá vai minha teoria: dois gajos estavam a conversar e um miúdo ficava bisbilhotando por perto. Um dos homens reclama: “cá está o f(b)edelho a meter-se onde não é chamado!”

Portanto, encerro temporariamente GARRAFAS AO MAR, recolho meu lado fedelho e prometo que volto a meter o bedelho quando tiver um assunto palpitante!

Não percam LEITURAS DE QUE MARCAM A VIDA.

Fui!