Por toda minha vida fui uma leitora curiosa. Descobri também que tenho excelente memória do que li. Hoje, aos 64 anos, fico espantada por recordar de textos lidos há décadas! Nem sempre foram obras grandiosas, marcos da Alta Literatura; às vezes, aquelas leituras eram significativas para a época ou me deram motivos bem pessoais para se fixarem na memória. Seja por qual motivo, resolvi compartilhar as lembranças nesta série, LEITURAS QUE MARCAM VIDAS. Pode ser que algum desses livros faça eco em memória alheia, mas, mesmo que fique só na sugestão, espero despertar sua curiosidade. BOA LEITURA!
EU CONFESSO! Sou grande fã de histórias policiais e de suspense. Para os “cúmplices” dessa minha devoção, vai uma dica saborosa, o livro OITO ASSASSINATOS PERFEITOS, de Peter Swanson.

O protagonista e narrador é Malcolm Kershaw, um dos donos de uma livraria especializada em literatura policial. Há anos, ele escreveu uma lista exatamente com o título “Oito Assassinatos Perfeitos”, citando livros que, em sua opinião, apresentavam candidatos a “crimes perfeitos”, com potencial para a impunidade dos assassinos.
Certo dia, é procurado por uma agente de polícia, Gwen, encarregada de solucionar assassinatos que apresentam curiosa semelhança com os crimes fictícios da sua lista literária. Malcolm fica curioso e aceita ajudar a agente; ela o atrai, porque, além de lhe oferecer um peculiar enigma policial, é uma mulher atraente.
Aos poucos, conforme a narrativa acrescenta novas sugestões de livros (para deleite dos aficionados do gênero) e outras pistas, percebemos que nem sempre aquilo que parece ser, realmente o é. O aparentemente inofensivo Malcolm teve um casamento turbulento, sua esposa morreu em acidente de carro, mas sob influência de drogas, oferecidas por um amante que se torna seu desafeto. Gwen, que aparentemente só procurar a ajuda do livreiro por motivos literários, começa a questioná-lo sobre a morte desse “amigo” de sua esposa…
O leitor é duplamente seduzido por OITO ASSASSINATOS PERFEITOS: pelos crimes descritos no enredo (e sua solução) e pelo fato de ler sobre eles sob a ótica de um narrador envolvido na trama. Isso traz uma dimensão psicológica à história, que constrói, além do “quem-matou-quem”, um retrato contundente da alma do assassino.