Minha viagem pela Grécia, em novembro de 2025, trouxe-me muitas informações e referências míticas: a guia Konstantina ciceroneava nosso grupo e trazia os dados precisos, enquanto o professor Moreno nos encantava com suas narrativas…

Em nossa parada em Esparta pudemos ver as ruínas do Santuário da deusa protetora dos espartanos, Atena Chalkiokos (Casa de Bronze). E por falar em espartanos, importante lembrar da guerra entre gregos e persas, que eram a potência militar da época. As conhecidas “guerras médicas” foram de 499 a 449 a.C., com inúmeras batalhas famosas, como Maratona, Salamina, Termópilas.

Ruínas do santuário de Atenas em Esparta

A batalha de Termópilas ficou especialmente memorável, mesmo em tempos recentes, quando Frank Miller fez uma graphicnovel, 300, que virou filme de grande sucesso em 2007. É nessa batalha que trezentos guerreiros espartanos do rei Leônidas enfrentaram o gigantesco exército persa do rei Xerxes. Muito de lenda e de História se misturam nessa narrativa, mas, como minha viagem teve mais lenda do que História, registro a suposta resposta de Leônidas, quando recebeu o ultimato dos persas, de que precisava depor as armas: “Molon Labe” (“venham pegá-las”), disse o rei, antes de enfrentar um exército persa em absurda vantagem numérica.

Neusa Saldanha e Marcia Kupstas

Seguimos viagem para a região do Peloponeso, que tem esse nome em homenagem a Pélops, herói mítico que, depois de muitas peripécias, casou-se com Hipodâmia e fundou um templo em honra a Poseidon. A cidade de Olímpia fica nessa região. Olímpia não sediou nenhuma olimpíada moderna, mas até hoje a tocha olímpica é acesa no local da Antiguidade, nas cerimônias especiais de abertura dos jogos.

Marcia Kupstas com uma réplica da Tocha Olímpica

E ali estávamos nós, no exato local das Olimpíadas! Os jogos foram supostamente fundados por Hércules (em torno de 776 a.C.) e aconteciam a cada quatro anos. A importância desses jogos era tal, que, durante o período das disputas, havia uma trégua total entre os povos.

Vaso com os 12 trabalhos de Hércules

Em nossa visita, vimos as ruínas do templo de Zeus e o descampado onde os atletas disputavam as provas, em especial a corrida. Segundo a lenda, a dimensão do terreno era de 600 passos do “tamanho do pé de Hércules”, aquele que era considerado o maior de todos os heróis míticos da Grécia. Aparentemente, seria um pé gigantesco; mas, segundo a fofoca histórica do professor Moreno, uma pesquisa moderna avaliou essa pegada como a de um tênis tamanho 46. Quer dizer, para os gregos antigos, seu herói era imenso e extraordinário; para nossas medidas modernas, Hércules seria um homem alto, mas de no máximo 1m90 ou 2 metros. Pra se ver como as pessoas na Antiguidade seriam, provavelmente, bem menores do que somos hoje…

Olímpia: Ruínas do Templo de Zeus
Olímpia: estádio

Se os gregos da Antiguidade não eram altos de estatura, certamente o eram em realizações. Em cada visita a museu, em cada estátua fragmentada ou detalhe de mármore, eu me deslumbrava com a perfeição artística desse povo.

Mas impossível mesmo era visitar a Grécia e não citar seu mais famoso cartão postal: o templo dedicado a deusa Atena, o Partenón. Situado na Acrópole de Atenas, essa antiga cidadela é um símbolo da Grécia Clássica.

Partenón com andaimes

No museu de entrada da Acrópole, vimos uma maquete de como deveria ser esse templo, concluído em 432 a.C.. Porém, fica aqui outra curiosidade: estamos acostumados a associar aquela brancura meio amarelecida do mármore como típica da Antiguidade, mas o mais provável era que o mármore fosse pintado. Há restos de tinta em algumas estátuas que comprovam isso.

Partenón maquete
Partenón pintado

O caminho que vai do museu da Acrópole até o templo do Partenon é um bocado íngreme. A vista do alto é deslumbrante, mas tenho de ressaltar que eu, aos 68 anos e problema de artrose, sofri pra superar os degraus, muitos dele de mármore e que ficavam lisos “que nem quiabo” (outra imagem lobatiana), com as pegadas de milhares de peregrinos. Ufa!

Vista panorâmica de Atenas do Partenón

Mas que valeu, VALEU!

Marcia Kupstas e Neusa Saldanha
Marcia Kupstas, Neusa Saldanha e Prof. Moreno

O que mais valeu, nessa viagem pela Grécia?

As lembranças. Que começaram com as informações que adquiri na infância, nas obras de Monteiro Lobato e seguiram por essa viagem feita em 2025. Essa memória sensorial, porque, como escreve o professor Moreno, citando o escritor Kazantzakis: “para conhecer os gregos e sua mitologia, você precisa conhecer o ar, o céu, as terras, as rochas e as águas da Grécia.

Que felicidade poder recordar e dividir tudo isso com meu leitor de GARRAFAS AO MAR!